Capítulo IV – Ida para Fortaleza e os primeiros estudos na capital cearense

Exatamente quando tinha a idade de 14 anos, o jovem Geraldo vendeu algumas criações de cabras e de ovelhas e comprou uma casa em Fortaleza, na Rua Sólon Pinheiro, próximo da igreja do Santíssimo Coração de Jesus. Seus primeiros estudos na capital cearense aconteceram na escola particular de Dona Maria do Carmo, nessa época ele já estava se preparando para entrar no seminário, mas antes ia adquirindo conhecimentos intelectuais, para depois seguir também nos estudos religiosos. Geraldo percebia que seus sonhos estavam bem mais próximos de se tornarem realidade; mesmo sabendo que a vida que escolhera para si traria muitas exigências, pois teria de denegar ás coisas mundanas, e estaria, a partir de quando adentrasse ao Seminário, vendo fechadas todas as portas da mundanidade, mesmo assim, Geraldo Dantas assumiu toda a responsabilidade e, sem nenhum vacilo seguiu firme e determinado rumo aos seus ideais.

     Ainda aos 14 anos, Geraldo ingressa, por intermédio do Padre José Helio Ramos no seminário da Prainha, onde permaneceu sob forte e rígida disciplina, bem diferente do que acontece nos dias atuais. E foi assim, sob uma educação disciplinadora e instrutiva, que Geraldo desenvolveu seus estudos teológicos e filosóficos, adquirindo e desenvolvendo conhecimentos que serviriam, mais tarde, como força para sua vida pessoal, instrutiva e espiritual. Foi nesse regime de dedicação aos estudos e as orações que realizava com fervor, que ele viveu toda a sua juventude e mocidade. Somente depois de passados quatorze anos internos no mesmo Seminário da Prainha e já aos 28 anos de idade, Geraldo Dantas Pereira conclui seus estudos, ao lado de outros compánheiros seminaristas: Geovani, Geraldo Campos, Hélio Campos, Valdi Dantas, Agenor Tabosa que, assim como ele, se tornaram Sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana.

Capítulo III – A perda do pai, ainda quando criança

     Ainda aos 10 anos de idade, Geraldo perde seu querido pai, aquele que era também seu companheiro, seu instrutor e amigo. Ele que já assumira o papel de trabalhador responsável, vê aumentar ainda mais sua responsabilidade diante da família. E não esmoreceu. O ainda garoto Geraldo continuou, ao longo dos quatro anos seguintes, bem próximo de sua mãe e dos seus irmãos, dando continuidade aos afazeres cotidianos que assumira especialmente na lida do campo. Mas, em seu interior, ele continuava, cada vez mais, sonhando com seus objetivos de vida.

A dor de se perder alguém é muito grande, perder seu pai aos 10 anos deve ter sido uma dor muito forte, mas mesmo assim, ele encontrou coragem e forças em Deus e na Virgem Maria Santíssima para prosseguir sua caminhada que traria, num futuro próximo, conquistas e muitas realizações que marcariam toda a sua existência e a existência daqueles que com ele conviveriam. As pessoas que possuem a verdadeira fé, como bem relatam as Sagradas Escrituras, não se abalam com facilidade. E foi por possuir esse sentimento de fé, que o garoto Geraldo, mesmo sentindo a ausência do pai, prosseguiu sua caminhada com determinação e empenho.

 

Capítulo II – Vocação e o Chamado de Deus

 

A vocação religiosa foi despertada no menino Geraldo quando este tinha 10 anos de idade. Recebeu todo apoio de sua mãe Raimunda, que já havia lhe ensinado as primeiras rezas e, muito mais que isso, também, o verdadeiro amor e demovação a Deus, a sua Mãe Maria Santíssima e a Igreja. O pai jamais se demonstrou contrário, aceitando sua decisão. Pois um fato havia marcado a vida do menino e o acontecido servira de sinal para sua família. Ainda antes de seu nascimento, a mãe teve um sonho; neste sonho, ela escutou uma voz que dizia que aquela criança que estava em seu ventre viria a ser uma Diocese. Ela não conhecia o significado da palavra Diocese e procurou saber com um Pároco, Padre José Magalhães, este lhe explicou que Diocese é a sede que reside um Bispo Diocesano.

Quando Geraldo era bem pequeno, deram-lhe algumas bananas para que ele comesse, ele pegou também uma jaca que havia sobre a mesa de sua casa e fez uma mistura com as duas espécies de frutas. Pouco tempo depois, o menino adoeceu gravemente. Seus pais, temendo que ele viesse a morrer, batizaram-se, em casa mesmo, e deram-lhe o nome de João. João chegou a preparar um caixão de anjo para o filho, porém, fez a promessa de que, caso ele ficasse curado, dar-lhe-ia o nome de Geraldo, em honra de São Geraldo. Em casa, ele teve a ideia de preparar-lhe um chá de coentro e, dando-lhe a beber, o menino melhorou completamente, para a alegria da família. Então, ao ser batizado na pia batismal, ele recebeu o nome de Geraldo Dantas Pereira. A partir de então, o menino foi crescendo totalmente saudável e robusto.

 

 

 

Capítulo 1 – A infância do menino Geraldo

No dia 13 de novembro do ano de 1924, aniversário de nascimento de Santo Agostinho de Hipona, nascia na Fazenda Caiçara, município de Baturité no Ceará, o menino Geraldo Dantas Pereira.

Oitavo filho de um total de dez irmãos legítimos, já que teve mais cinco irmãos adotivos. Os pais João Dantas Pereira e Raimunda Colares Pereira, desde cedo lhe instruíram pelos caminhos do trabalho e da vida religiosa. Por tais razões, a vida do então menino Geraldo, assim como a vida do próprio Jesus Cristo, foi marcada pelo trabalho e seguimento ao oficio de seu pai. Senhor João era agricultor e pecuarista; ainda pequeno, o garoto que mais tarde seria Sacerdote, aprendeu a lidar com as criações de cabras e de ovelhas de seu pai; também, como ele mesmo costumava falar, trabalhava na roça: brocando, botando fogo e encoivarando; fazia cercas e apanhava algodão. Realizava tudo o que o simples sertanejo ou serrano costuma a fazer por na Serra e no Sertão Nordestino, especialmente em seu interior.

Se com o pai Geraldo aprendeu a dedicar-se aos trabalhos simples do campo, com sua mãe ele desenvolveu uma religiosidade forte e baseada nos princípios do próprio Jesus Cristo.

Todos os dias Dona Raimunda reunia todos os seus filhos para rezarem o Santo Terço e as outras orações necessárias ás crianças e jovens cristãos.  E foi assim, unindo os conhecimentos adquiridos através do trabalho e pelas orações realizadas com verdadeira devoção que, mais tarde, Geraldo viria a ser um servo da humildade, defensor das boas causas, até mesmo se utilizando de linguajar e comportamentos considerados fortes, mas bem realistas. E foram esses conceitos que nortearam seu trabalho pastoral e missionário a ele confiados por Deus.

Por ter iniciado cedo seus ofícios, também amadureceu mais cedo. Já aos 8 anos trabalhava normalmente em quase todos os serviços do campo. Sua vida não tinha nenhuma comodidade, pelo contrario, pois era preenchida pelas tarefas do campo e o aprendizado intelectual. Geraldo, mesmo não sendo um dos filhos mais velhos, era o que mais ajudava o pai.

 

 

 

Mensagem de quem escreve

Dedico este trabalho a memória sempre viva do nosso querido Vigário Padre Geraldo Dantas Pereira, ele que depois de uma longa caminhada em nosso meio, nos deixou corporalmente, mas que continua sempre presente espiritualmente, e em nossos pensamentos, os quais só nos trás saudosas e maravilhosas lembranças. Nosso querido Padre Geraldo, durante os 51 anos dedicados na condução das “ovelhas” de Deus no nosso município de Pedra Branca, nos deixou vários legados: seus ensinamentos para a conduta cristã baseada nos preceitos de Jesus Cristo e na vida Santa da Virgem Maria; sua maneira simples de evangelizar, muitas vezes repreendendo e advertindo os fiéis para que se livrassem de alguns perigos e mudassem suas atitudes; a simplicidade que possuía e a facilidade de se emocionar; sua preocupação com o bem social do povo, especialmente para com os mais necessitados e carentes; o cuidado de sempre para o crescimento espiritual e intelectual dos jovens; enfim, muitos são os legados que nos deixou Padre Geraldo. E este simples trabalho é apenas uma forma humilde de homenageá-lo, mesmo depois de sua partida para junto do Pai e dos que Ele escolhereu para ali habitarem. Essa é uma pequena contribuição no sentido de se manter sua linda história de vida, as boas lembranças do trabalho religioso e social e seus ensinamentos.

 

Em suas orações, lembre-vos de Padre Geraldo

 

Do Evangelho de São Lucas

“Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto.

Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”.

São Lucas, 8, 16-18